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Acheron

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Nas Profundezas de Acheron As orlas inferiores   Porque tudo que levo é o meu silêncio e perpetuado entre os ecos de meu próprio herói, ouço bradar acima de mim, as vozes que no além irei deixar como memórias vivas...   Senti preso em meus cabelos, um alfinete que mesclava a dura forma fractal dos gelos, mãos que suavemente me penteavam, mas que ao mesmo tempo, me lavavam, deixando no rosto a palidez que outrora entre as chamas queimou-me. A quietude das orlas inferiores das brumas, o silêncio que me fez jurar para que pudesse ser levada ao submerso rio. As divisões de mundos já haviam sido feitas, o silêncio havia sido pago. Não pude soar com a voz de minhas cordas, mas nos meus olhos ainda havia preço. Eu vi e senti as profundezas tomarem-me, queria gritar com a alma, expressar a loucura das orlas, das camadas que me envolviam, do apreço, das chamas que me devoravam, das águas que se misturavam entre as três temperaturas , todas ao mesmo tempo. Entravam sobre as ...

A Deusa e o Poeta



A DEUSA E O POETA

 

 

— Quem és Tu? — Sendo Tu mortal és reverenciada por anjos, sabes de coisas que jamais foi ensinado, buscas conhecer o mundo através do sono guiado e de entidades, das ciências ocultas, da magia, da teosofia dos antigos alquimistas, das ervas, da psicurgia teurgica, das influências matemáticas com relações ao universo, da física ao físico. Da fisionomia a psicologia em relação ao homem e a natureza. Das noções em base de tudo que ainda nem foi expressado. — Quem és Tu?  Ainda que somando todo o empenho de que aprende, as vicissitudes na quais busca, ainda és uma jovem mulher, sem manchas em sua auréola?

A mulher de longas asas lhe fez essa pergunta, sabendo de antemão que a jovem não era uma deusa, mas uma menina na qual sonhava em ser e não ter. O ser preenchia todas as lacunas de sua vida, enquanto a ideia do ter apenas somava e desaparecia. Era uma visão dupla, uma mão dupla, na qual o intelecto dela via uma forma de razão para ajustar uma quantidade. Enquanto, a ideia do ser a preenchia fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, era uma forma una de sentimento que jazia algo transbordar.

Entre a dúvida de Vênus estranhamente a sua frente. A jovem possuída de afeição não respondeu. Apenas que as suas equivocadas ideias de atributos devessem uma explicação. Mas, a jovem não via como atributos e sim como dons. Pareceu que o olhar fixo daquele anjo lhe pedisse explicação, pelo fato de que o rosto e a cor dos seus cabelos ruivos fossem um tipo de dardo, na qual acertara o coração dos homens.

Para a jovem, apenas a ideia de que o seu dom os invejava e não a sua beleza. Embora, os olhos da carne os vissem como algo bom a ser devorado.

Contudo, a jovem sempre usou de sua prudência para não ceder aos caprichos da carne. Isso, a própria Vênus se condenou. Pois, nos caminhos da vida há preços que jamais podem ser pagos. A honra.

Sempre que podia ia se banhar nas águas puras do rio e lá alguém se escondeu, a pedido de Vênus.

A jovem já havia sonhado e antecipado a sua visão de que um homem iria visitá-la a mando da deusa para que desvirtuasse.

Ela então, olhou direto nos olhos de Cupido e a flecha que acertara bem ao peito voltou-o como num disco arranhado e ele assustou quando se machucou também, pela mesma seta.

A jovem vestiu-se, depois de tê-lo mostrado parte de seu seio ferido, ali foi derramado sangue e água. Nas quais a sede que teria jamais seria saciada como homem e o sangue derramado foi a volúpia que antecipadamente a tocou e que jamais retrocederia.

Cupido então, afastou-se com os olhos marejados de água e igualmente ferido, deixando ali uma jovem que fracamente adormeceu ferida por sua flecha.

Sonhando, viu o rosto de um poeta que lhe implorou a acordá-la, mas que dormiu serenamente por algum tempo, até que as inspirações dele o afetasse criando teias de emoções.

Aos poucos, o rosto enuviou e ela acordou.

Estava em sua casa com as suas irmãs e a sua família e Vênus desapareceu, assim, como o poeta. Algo em seu coração doía, era como brasas acesas. E, passando um ano e meio o rosto dos sonhos retornara. Junto dele um emaranhado de cartas nas quais por todo esse tempo ele levou aos pés dela, de Vênus.

O rosto de sol escaldante da deusa aplicou uma lição em seu filho, talvez, a mais dura lição de sua vida por uma forma genuína de inveja e deu o seu filho ao tempo na qual o próprio Cronos fez as suas alterações.

A jovem que mantinha atributos passou pelo pai tempo e ele por sua vez trabalhava silenciosamente para Vênus. Deixando os seus traços nos rostos de todos os seres. Mas, a jovem o reconheceu. Ele era o rosto dos sonhos nas quais viu quando adormeceu. Estava fraca devido a ferida em seu peito. E, ele era o próprio cupido.

O poeta.

Daquele dia em diante, os caminhos passaram a serem mais estreitos, porque a jovem descobriu o segredo de Vênus e marcou o seu filho cupido pelo poeta. Deixando os dois distantes na linha tênue da vida para que eles jamais se tocassem.

A vingança de Vênus foi cruel. E, todas as pessoas que alinharam em seu caminho se jogara de um precipício deixando em seu lugar apenas euforia.

A jovem pela primeira vez disse algo a Vênus.

— Eu jamais quis seus poderes do amor. — Por que me amaldiçoou? — Essa é a forma que reverenciam para Ti amor? — Há, se te conhecessem!

Ela se virou e foi embora deixando-me com a dor, a ausência e a punição.

As cartas do poeta empilharam num arquivo em minha cabeça dentro dos sonhos e eu vi uma frase que dizia.

— No amor não há limites de tempo, apenas a forma da expressividade.

Essa frase marcou-a quando acordamos juntas de um sonho da segunda dimensão. A jovem que mantinha e mantém seus atributos, vive. Embora, aquela dos sonhos ficou guardada no tempo quando conheceu o rosto do poeta pela primeira vez.

O sonho dentro dos sonhos foi a inspiração do poeta e a deusa sem nome serenamente recolheu-se em busca do seu eu que se perdera no tempo.


Original: Claudianne Diaz

Texto com ©DIREITOS AUTORAIS

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