Novidade Filosófica!

Acheron

Imagem
Nas Profundezas de Acheron As orlas inferiores   Porque tudo que levo é o meu silêncio e perpetuado entre os ecos de meu próprio herói, ouço bradar acima de mim, as vozes que no além irei deixar como memórias vivas...   Senti preso em meus cabelos, um alfinete que mesclava a dura forma fractal dos gelos, mãos que suavemente me penteavam, mas que ao mesmo tempo, me lavavam, deixando no rosto a palidez que outrora entre as chamas queimou-me. A quietude das orlas inferiores das brumas, o silêncio que me fez jurar para que pudesse ser levada ao submerso rio. As divisões de mundos já haviam sido feitas, o silêncio havia sido pago. Não pude soar com a voz de minhas cordas, mas nos meus olhos ainda havia preço. Eu vi e senti as profundezas tomarem-me, queria gritar com a alma, expressar a loucura das orlas, das camadas que me envolviam, do apreço, das chamas que me devoravam, das águas que se misturavam entre as três temperaturas , todas ao mesmo tempo. Entravam sobre as ...

A Deusa e a Liberdade



A DEUSA E A LIBERDADE


— Hoje terás que sair do seu quarto! — Acabou o luxo dessa conspiração que possui entre a sua honra e o resto do palácio. — Não poderás chorar para uma das suas criadas que te escovam, te limpam e te dão de comer em pratos de porcelana. — Foi bem educada e sabes que hoje finalmente chegou o dia. O dia do seu casamento.

Em outrora. Aos seis anos de idade, perdera a mãe e desde a sua infância, seu pai achou certo educa-la ao nível de que todos da corte a reverenciavam como uma dama. Todos os dias ela e o pai acordavam às cinco horas e se banhavam na água gelada do rio, cavalgavam os cavalos selvagens e de lá ela seguia a rotina de etiqueta e línguas. Aprendera a usar todas as ferramentas e armas. Tornara-se campeã em esgrima e corridas de cavalo. Domou os piores cavalos e aos quinze anos havia se tornado uma mulher ao crescer rapidamente devido os exercícios com os cavalos.

Aparentemente linda e chocante, suave, serena e perigosa.

Nos bailes a viam como a sedutora mansa e cruel. Pois, ao cavalgar chicoteava os cavalos para impor limites entre ela e o animal. O animal submisso as suas regras confiavam e assim, ela os amava retribuindo depois, com a maciez de suas mãos ao penteá-los.

Rigorosamente invejável, intocável e brilhante por natureza, a sua devoção ao sentir a vida que pulsava junto ao vento matutino das manhãs em seu rosto. Seu pai que a amava e que a cuidava em desalento mantinha o rosto da filha coberto por uma máscara de veludo para que o vento não rasgasse a sua pele de porcelana.

Enquanto, que as damas da corte apenas conseguiam abrir um guarda-sol sob a ajuda do marido. Ela poderia dominar todo o reino em força e conhecimento.

Suas lágrimas derramavam sob o travesseiro ao saber que o pai, era o homem que tanto confiava e que depositou a sua vida. Agora, deixaria ser levada por um homem quarenta anos mais velho. Não o conhecia, apenas a sua fortuna. Os olhos do pai cegaram-nos e a gentileza, o cuidado e a confiança foram embora, assim, como o sentido de viver. Ela não conhecia o amor, era virgem e a sua conduta e disciplina seria dar aos superiores da corte a prova da consumação das núpcias. Depois, de alinhar-se em sua cadeira de recosto alto com as mãos das criadas a penteando, fez uma pausa ao ouvir a voz do pai que mudara entre o umbral da enorme porta.

Ele estava sendo apenas o rei, nada mais. Não havia o sustento de uma mulher na qual ordenara a ele a confiança de que uma mulher tinha sentimentos. Ela queria ser entregue ao homem que o coração fosse desperto. Mas, ao invés de amor, havia empunhado medo.

A ordem vinha do seu pai, o rei de Rouen. Toda a cidade estava em completa destruição pelos bárbaros, os estrangeiros. E, tudo que ele queria era que a filha fosse a esposa do rei mais rico e poderoso que ele. Ela poderia estar segura.

Enquanto o seu pai pensava em proteção, ela pensava em amor.

E, o triste dia chegou.

Levada e dada em mãos ao homem mais poderoso da França. Ela sentiu uma pontada em seu coração e soube de antemão, que o último dia de sua vida seria o suspiro em alguma cavalgada. Pois, a sua liberdade fluía quando dominava os ventos e o cavalo. A sua maior alegria era quando os vastos caminhos de vales se contorciam rios abaixo e o cavalo que a levava decidia a sua própria vida.

Muitas vezes, ao cavalgar, deixara o cavalo decidir a sua vida. Assim, a manifestação da alma da saudosa mãe pousava sobre a sua cabeça quando ela fechava os olhos e o cavalo pulava as valas e os frisos profundos de chão que se ressaltavam em outras dimensões, dando voltas em pequenas fontes e nascentes. Ela então, abria os olhos e via que não chegara o momento, mas que um dia não muito distante, ela poderia ter a liberdade total.

Dois anos passara com frequentes visitas do rei, o seu pai e do papa para tentar entender porque ela não tinha filhos. Subestimada aos olhos do rei e amada por outro, ela viveu e esperou.

Por ultrajante e a força ela foi possuída por seu esposo e deu à luz uma menina. Consequentemente, após os bárbaros terem invadido Rouen não adiantou a segurança do palácio colocando fim a vida do rei.

Ela ficara sozinha e herdou a herança e a prole do rei sendo substituído aos costumes de que a cadeira logo fosse preenchida por outro, e ela mais uma vez, temeu o seu destino.

Constituída por força ela saiu do aposento para uma última cavalgada onde os olhos de um rapaz a fez feliz pela primeira vez, ela estava decidida por sua vida e ele por amá-la aquela noite. Os dois fizeram amor sob a grama e sob a lua que ardentemente brilhava no céu. O cortejo em segui-la onde quer que fosse e as escapadas ao aposento dele fizeram a suspeita de infidelidade, mas a influência dela nas assinaturas dos documentos da corte foi mais relevante que duas famílias traídas.

Seu amado foi prometido por uma esposa que ao invés de amá-la, deixou-a ver todas as vezes que levara a sua amante para o quarto. A intensidade dos dois ao brilho das toras acesas deixavam-na perplexa. Os dois se amavam e faziam amor de forma que ele nunca fizera com ela. O beijo que eles davam eram inusitados ao olhar da esposa. — Extravagante!

Contudo, o tempo de amor trouxe um final trágico entre a sua vida e a vida do seu amado.

Henrique estava enfeitiçado e Diana enlouquecida. Ambos, foram presas de seu próprio tempo, deixando a esposa dele viúva e o seu esposo comandar outro reino com uma cadeira a preencher.

O amor prevaleceu em parte do que ela mais amava, a liberdade.


Original: Claudianne Diaz
Texto com ©DIREITOS AUTORAIS 

Leia também...

Terracota - A BIOLOGIA SISTÊMICA

Terracota - Embriologia - A Ordem 1,0.819

Terracota - Embriologia - A Ordem 0,27.19

Os Doze Trabalhos