Novidade Filosófica!

Vênus - A Deusa Que Ama o Avesso

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  Dizei-me, oh! estrelas: que destino aguarda aqueles que ousam unir luz e mistério?  A união recém-formada entre Apolo e Vênus reverberava pelo espaço como uma onda sincronizada. Não era som, mas vibração — uma alteração sutil na tessitura do cosmo, como se o próprio vácuo reconhecesse que duas forças fundamentais haviam decidido caminhar lado a lado. Apolo avançava à frente, abrindo trilhas de claridade pelo espaço profundo. Sua luz não era apenas brilho; mas cálculo, precisão, consciência. Cada fóton que deixava seu corpo, carregava uma intenção, um convite para que o universo se revelasse. Vênus seguia ao seu lado, segurando o braço da lógica — gesto que se tornara símbolo de sua aliança. A deusa caminhava com a elegância de quem domina o próprio destino, mas havia algo novo em seu olhar; curiosidade. Uma curiosidade tão intensa quanto o brilho de seu planeta. — Sente isso? — perguntou ela, observando o espaço ao redor como se escutasse uma música distante. — Sinto, respon...

o Retorno e a Primeira Fenda no Tempo


O Retorno e a Primeira Fenda no Tempo 

Quem volta do abismo não retorna igual; traz nos olhos o reflexo do que o abismo viu.


___*___

Atravessar o intervalo escuro foi como ser arrancado de um sonho que não tinha começo nem fim. Quando Apolo, Vênus e Hermes emergiram de volta ao espaço conhecido, o universo pareceu respirar — como se tivesse sentido falta deles.

Mas algo estava errado.

Muito errado.

Apolo foi o primeiro a perceber. Sua luz, que sempre fluíra com perfeição, agora tremeluzia em ondas irregulares, como se estivesse tentando se ajustar a um novo ritmo.

— O tempo não está igual, murmurou ele.

Vênus segurou o braço de Hermes, sentindo a vibração que percorria o corpo luminoso de Apolo.

— Você está desalinhado.

Hermes girou o caduceu, e uma projeção surgiu diante deles — mas a imagem os deixou em silêncio.

A órbita da Terra estava ondulando.

Não suficiente para destruir, mas o bastante para não ser natural .

— A primeira fenda, disse Hermes, com a voz grave. — O intervalo escuro tocou o tempo daqui.

Vênus levou a mão ao peito, como se sentisse a dor do planeta azul.

— A Terra está sofrendo.

Apolo aproximou-se da projeção, analisando cada curva, cada variação.

— A rotação está oscilando. Os dias estão mudando de duração. O tempo está respirando errado.

Hermes completou:

— E isso é só o começo.

A luz de Apolo se intensificou, tentando estabilizar-se, mas a oscilação persistia.

Era como se o intervalo escuro tivesse deixado uma marca nele — uma cicatriz luminosa.

Vênus tocou seu rosto, suave.

— O que o vazio fez com você?

Apolo fechou os olhos por um instante.

— Ele me mostrou algo. Algo que não consigo traduzir. Não ainda...

Hermes observou os dois com atenção.

— O intervalo escuro não apenas dobra o tempo. Ele o absorve e o consome. Ele o devolve distorcido.

Vênus franziu o cenho.

— Mas por quê?

Hermes respondeu com a voz mais séria que já usara.

— Porque algo passou por ele, algo que não devia existir e que deixou uma cicatriz no tempo.

Apolo abriu os olhos — e por um instante, Vênus viu neles um brilho que não era dele.

Um brilho antigo, estranho e profundo.

— Eu senti essa presença, disse ele. — Ela não era luz, nem sombra. Não era vida e nem morte.

Vênus apertou seu braço.

— Então o que era?

Apolo demorou para responder.

Quando falou, sua voz parecia vir de muito longe.

— Era origem.

Hermes respirou fundo.

— Então não é um fenômeno, é um agente.

Vênus sentiu um arrepio percorrer sua alma.

— Algo está vindo.

Apolo assentiu.

— E a primeira fenda no tempo é apenas o aviso.

A projeção mudou novamente, mostrando a Terra.

O planeta azul tremia — não fisicamente, mas temporalmente.

Pequenas falhas, atrasos, acelerações...

Como se o tempo estivesse tentando acompanhar uma música que não conseguia mais ouvir.

Vênus levou a mão à boca.

— Se isso continuar a Terra vai perder o ritmo completamente.

Hermes completou.

— E quando um planeta perde o ritmo ele perde a si mesmo.

Apolo envolveu Vênus com sua luz, protegendo-a do medo que começava a crescer.

— Vamos impedir isso.

Hermes ergueu o caduceu.

— Então precisamos seguir o rastro da fenda. Descobrir para onde ela leva.

Vênus ergueu o rosto, determinada.

— E descobrir quem — ou o quê — deixou essa cicatriz no tempo.

Apolo sorriu, mesmo com a luz instável.

— Juntos.

E assim, guiados pela primeira fenda no tempo, o trio avançou rumo ao desconhecido — sabendo que o próximo passo os levaria para além do que qualquer deus já havia enfrentado.

 

 TEXTO COM ©DIREITOS PRESERVADOS – ORIGINAL: CLAUDIANNE DIAZ
ORIGINAL - DEUSA VÊNUS

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