Shunya - O Zero
Interlúdio — Shunya; O Zero Em algum lugar, onde as primevas me ensinou como homem...o manuscrito perdido! Ninguém me ensinou a olhar para o céu. Essa é a primeira verdade que preciso registrar antes que a memória me traia. Cresci em Bengala, onde o ar sempre parece carregado de histórias antigas para caberem em livros. Ainda assim, foi sozinho que descobri que a escuridão não é ausência — é estrutura. Meu avô dizia que Shunya , o zero, não era um número. Era um estado do mundo. Um intervalo onde tudo pode acontecer. Ele me ensinou isso enquanto eu ainda tropeçava nas sílabas do sânscrito, e talvez por isso eu tenha passado a vida inteira procurando esse vazio em todos os lugares: nos manuscritos, nos cálculos, na luz. Aos doze anos, encontrei um ponto negro no Manuscrito de Bakhshali . Era o primeiro zero que meus olhos viam. Um vazio marcado. Uma ausência que alguém, séculos antes de mim, decidiu registrar para que não fosse esquecida. Aquilo me perturbou mais do que qualquer e...