Alma - A Andarilha da Noite


 Alma — A Andarilha da Noite


Andando sob a proa de um enorme navio...meus pés afundou-se num veludo roxo profundo!


Desde que fomos semeados para a vida, fomos lavrados. A semeadura do espírito na terra, ou seja, em nossa carne, criou uma abertura. Essa abertura antecedeu a parte que outrora rasgou o chão, aninhou-as, para que por um período fosse adaptado ao estado de graça. Tal estado, se advertiu a dividir a semente, a brotar, ao germinar-se, criou as suas possibilidades a partir de um único caule que se abriu por outras fendas, e dessas fendas surgiu-se, a ascendência. Linhagem essa, nas quais por vontade e resignação não teve escolhas, apenas a força que se implantou. Após esse período, o tempo deixou as estações nas quais por força ainda maior, destemidamente provocaria a mutação. A mutação traz a morte. A morte traz o detrimento e o detrimento reina nas camadas de onde deves suprimir o reverso do tempo que criou as estações.


Ao caminhar entre as sombras, um lugar onde reina a luz calma, o céu com as cores de rosa, laranja, negro e azuis claros, permitem a metade de todo o esplendor, do sol e da lua. Mesmo sendo meio-dia, torna-se a meia-noite. As estrelas são os pontos focais, as constelações dos pilares da criação, da via láctea, do início das quais conhecemos como o universo lido, o ponto cosmológico da iniciação.


O reino de meio luz e trevas, nos leva ao monte. Ao monte da visão e da eternidade, onde os ciclos são esplendorosos, o olfato é como um perfume doce, da mirra, das rosas e dos jasmins. Somos convidados a observar, aos peregrinos do mundo, da eterna viagem, os detalhes são mantidos, são joias nas quais cada um pode conquistar e lapidar. E, que são os presentes dados dos Imortais, uma gota na taça para que não nos afoguemos com as emoções. Porque a vida é ainda mais bela no interior, essa é uma parte que devemos deixar registrados.


A alma que observa, quase não consegue se conter, a face do eu que nasce conosco é como a face da lua, a face oculta. As camadas são densas e gloriosas, o tempo não existe, a vórtice da rosa surge e como um presente dado dos deuses sempre renascem. Nessa camada, as emoções reinam, desligados de nós o tato, as palavras... somos parte do todo, a emoção torna-se algo que se reintegra e os olhos, tornam-se os nossos espelhos, o que reflete a nossa alma.

Tudo que vemos ou procuramos é feita de luz e energia, um universo fantástico e que em nosso mundo o conhecemos pelo binário, pela matemática, pela geometria.

A noite escura da alma é em parte, não só para nos mostrar onde iremos além dessa vida, mas, fazer-nos compreender quando podemos ou não retornar. As almas são andarilhas do tempo, elas não permanecem num estado, são a própria liberdade. Porém, muitos encarnados na materialidade apegam-se nas formas, no ter. elas; as almas dos corpos que servem como o seu veículo aprisionam-se, e prostrados diante da materialidade, foi só uma vida que não viveu, que não sonhou, que não amou... a iluminação que a outra face tanto busca, não acontece. Mas, aos que se empenham nos valores da obediência, do amor, da paz, do silêncio, de servir, essa fresta pode se abrir. Esse chacra foi feito para explorar.


O mundo do lado de fora é uma ilusão, descer o nosso próprio mundo é encontrar a nossa verdade, o nosso próprio reino, das flores que jamais foram vistas, dos sons que jamais foram tocados, da beleza que jamais conseguiríamos deslumbrar para sentir o tamanho de nossa perspicaz. De todas as sementes que vieram conosco na viagem da primeira vida, já que todas devem a emoção do primeiro canto. Todas somos nós, a parte mais evoluída, e que por decreto um dia ainda terás que nascer. O óvulo não se ascende por mais que a semente seja perfeita, a luz se abre ao mais preparado, e aquela semente ainda somos nós. O verdadeiro eu.

Porque, conhecemos a morte antes de nascer... E, que a vida e na vida sempre terá os dois lados, o lado fragilizado; em termos de sermos mortais, e o lado que se tornou forte e protegido para seguir as almas que percorrem caminhos que ainda não somos capazes de explicar. Esses, em outrora, foram memórias e que fluem por energia em camadas inferiores dos nossos sonhos, mergulhados no mesmo líquido amniótico.

Temos um punhado de anos para se aventurar como mortal e a eternidade para deslumbrar como seres que um dia conheceu o que era amar, como era o toque, como era reconhecer-se. A face oculta do eu, que luta conosco e que se torna o nosso maior adversário. Para sermos capazes de enfrentar qualquer dor, ser forte o suficiente para nos desligarmos da parte mais íntegra que nos aninhou e que nos formou. Do ventre que se foi, dos laços de sangue. Ser forte o suficiente para suportar a ruptura.


Se chegares ao monte, onde a passagem lhe pedir o último adeus, então, iniciaste a jornada... Daí, seguir-te-á somente com o seu herói, o seu próprio eu.









 TEXTO COM ©DIREITOS PRESERVADOS – ORIGINAL
CLAUDIANNE DIAZ
ALMA - A ANDARILHA DA NOITE

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