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Na Eternidade - Onde me sentei e chorei

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A Alma Indivisível – Onde me sentei e Chorei [À minha mãezinha...]   Quando atravessei o limiar, não encontrei escuridão. Encontrei paz — e nele, todas as vozes que ignorei em vida. A morte não me levou; ela me apresentou àquilo que sempre fui despida do tempo, sem peso. Compreendi, então, que viver não é existir — é tocar e ser tocada, ainda que por um instante. O fim não fecha a porta. Apenas ensina a olhar para trás com ternura! Essas são minhas palavras... Lá onde atravessei o portal de bronze, onde havia inúmeras serpentes escuras, até os cachos de brotos das árvores eram ninhos de seus filhotes, acreditei estar em um lugar intocável, um lugar apenas para os que não retornam. Estive ali, à beira das águas que não ousaria tocar. Mas, tive que tocar. Acompanhei alguém na caminhada mais dura e difícil da minha vida, minha mãezinha , a que jamais quis ter que voltar. Mesmo assim, aqui estou. Na primeira camada, a morte é a lei; na camada das sombras, é a passagem, a escolh...

O Coração Metálico



Nem todo coração pulsa com sangue; alguns batem com peso e memória.

 

O pequeno planeta permanecia imóvel diante deles, como se aguardasse o momento exato para revelar seu segredo mais íntimo. Mercúrio não era um mundo de mares, nem de montanhas exuberantes, nem de atmosferas vivas. Era rocha e metal — mas havia um silêncio tão profundo que parecia conter eras inteiras.
Apolo aproximou-se, guiado por algo que nem ele compreendia completamente.

Vênus segurava seu braço da lógica, mas desta vez ela não o guiava — ela o acompanhava.
Hermes observava em silêncio, como se soubesse que aquele momento não lhe pertencia.
 
— Ele está chamando você, disse Vênus, com a voz baixa. — Chamando apenas você.
 
Apolo assentiu.
— Porque ele sente minha luz mais do que qualquer outro. Ele vive à beira do meu fogo.
Hermes inclinou o caduceu.
— E porque o coração dele é feito da mesma essência que sua luz desperta.
A superfície de Mercúrio começou a tremer — não com violência, mas com precisão.
As crateras vibraram.
As rochas se separaram como placas que obedecem a um comando antigo.
 
Uma fenda se abriu diante deles, revelando um brilho metálico profundo.
 
Vênus prendeu a respiração.
— É o núcleo
 
Apolo deu um passo à frente, e a luz dele iluminou a fenda.
O brilho metálico respondeu imediatamente, pulsando como um coração vivo.
— Ele está batendo, murmurou Apolo.
 
Hermes sorriu, mas havia reverência em seu sorriso.
— Mercúrio é o único planeta com um núcleo exposto. Ele não esconde quem é. Ele entrega.
 
Apolo ajoelhou-se diante da fenda, aproximando a mão da superfície metálica.
O núcleo reagiu — uma onda de energia percorreu o metal, subindo pelas paredes da fenda e iluminando o planeta inteiro por dentro.
 
Vênus sentiu a vibração atravessar seu corpo.
— Ele está falando com você.
 
Apolo tocou o metal.
 
E o universo pareceu prender o fôlego.
Imagens surgiram — como memórias metálicas.
 
O nascimento do Sistema Solar.
O caos primordial.
O fogo que moldou os mundos.
A colisão que arrancou parte de Mercúrio, deixando-o denso, exposto, vulnerável.
A proximidade com o Sol.
O calor que quase o derreteu.
A solidão eterna.
 
E, a ressonância.
A dança com Vênus.
O compasso que moldava o tempo da Terra.
— Mercúrio é o arquivo do Sistema Solar. O guardião da primeira luz.


 TEXTO COM ©DIREITOS PRESERVADOS – ORIGINAL: CLAUDIANNE DIAZ
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