O Corpo Humano como Carta Geográfica Estelar
O CORPO HUMANO COMO CARTA GEOGRÁFICA ESTELAR — Onde o universo se esconde dentro de nós? O corpo carrega a memória do cosmos em cada órgão como continuidade. A matéria que nos compõe já brilhou em outros lugares, já foi poeira de estrelas, já percorreu distâncias que nenhum corpo vivo suportaria. Quando o organismo se forma, ele reorganiza essa herança em estruturas que repetem, em pequena escala, a arquitetura do universo. Os pulmões se abrem como nebulosas respirando, absorvendo gases que já circularam por atmosferas antigas, estrelas mortas, cometas errantes. Cada inspiração é uma troca com o ambiente; o corpo incorpora ar e devolve outro em fluxo contínuo. A respiração é um movimento físico-químico anterior ao tempo biológico, um ritmo possível sempre que há gradientes e membranas. O coração pulsa como um pequeno Big Bang repetido. Cada batida é uma explosão contida, uma onda de pressão que se espalha pelo corpo como a expansão do espaço se espalha pelo cosmos. O sang...