Luas de Marte


Luas de Marte
(Sobre a letra musical em Latim que imerge um ensinamento dos Deuses - A Natureza ama esconder-se...)


Sob o rigor inexorável da mecânica do céu,

Onde a gravidade tece o seu véu,

Não somos meros blocos de rocha e regolito

Presos ao planeta vermelho e aflito.

Somos as mãos de um relógio sem fim,

As engrenagens de um vasto jardim.


A ciência descreve a nossa geometria,

Na fria elegância que a mente criaria:

As leis de Kepler, a atração universal,

Calculando o curso e o ritmo mortal.

Pois T_Phobos=7h 39m é o tempo fugaz,

Em que Phobos atravessa o céu que nos traz;

Enquanto T_Deimos>30h mede o espaço com calma,

O compasso de Deimos que embala a alma.


Entre forças de maré e o momento angular,

Que a astrofísica vem calcular,

O observador busca a verdade profunda

Onde a alma ao cosmos se funde e se inunda.

Não há combate entre a exata equação

E o puro desejo da contemplação:

Pois a aequatio (igualdade, equação ou nivelamento) fria e a mente que anseia

São duas línguas cantando na mesma teia,


Desvendando o mistério, medindo o esplendor,

Frente ao sol, ao abismo e ao criador.


No tecido sutil de Fobos e de sua órbita exata,

Onde sete horas e trinta e nove minutos se retratam,

Multiplica-se o tempo em frações de pura argila:

0,60 vezes sete, mais o resto que destila,

Dando 4,59 sobre o ciclo solar de 365,25 dias,

Onde a constante decimal desvenda as harmonias...


O número desce ao abismo e se eleva no cálculo:

Dois mil, duzentos e quarenta e sete, o que nos aponta?

Ramos e ciclos, trinta e oito anos na marcha do vento,

Onde o ciclo metônico encerra o seu lento e belo momento.


Na segunda camada de horas, o mistério se avoluma:

De 4,59 a 7,39, a diferença consome a bruma.

2,8, cuja raiz se multiplica por cinquenta,

Traz 83,666, à medida que a nossa mente sustenta.

O universo não tem limites; o restante se expande por dez,

Na engrenagem do tempo que cumpre a sua altiva vez.


Se Fobos é o pulso positivo do relógio profundo,

Deimos traz 30,312 horas para equilibrar o mundo.

Dividido por 0,60, e pelo rastro de Fobos conduzido,

O número 11,006535 ao ano terrestre é dividido,

Gerando o resíduo de luz que o espaço acolhe e consome:

0,0001778, subtraído do arco que o cosmo assume.


Multiplicando o giro por 360 graus na rota,

182,2 vezes dois é a nota...

Que revela o tempo terrestre na dança sutil das esferas,

Sete camadas abaixo de Ceres, nas densas eras.

Onde a luz entre realidades temporais caminha,

E cada grau executado... o próprio infinito avinha.








TEXTO COM ©DIREITOS PRESERVADOS – ORIGINAL
CLAUDIANNE DIAZ 

O universo é um corpo, e o corpo é um universo. Os deuses são processos biológicos em escala cósmica.

 

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